A companhia aérea estatal Boliviana de Aviación busca modernizar sua frota envelhecida, sem recursos para compra, e negocia um contrato de arrendamento.

A Boliviana de Aviación (BoA), companhia aérea estatal da Bolívia, pode estar prestes a passar por uma significativa renovação de frota. O governo boliviano planeja arrendar pelo menos 10 aeronaves da fabricante brasileira Embraer, visando modernizar sua operação. A proposta surge como uma solução para os desafios enfrentados pela BoA, que lida com uma frota antiga e problemas de disponibilidade.

A decisão reflete a dificuldade financeira da empresa para adquirir novos aviões diretamente. O ministro boliviano de Obras Públicas, Mauricio Zamora, visitou as instalações da Embraer em São José dos Campos, Brasil, em julho, para discutir essa possível parceria.

Posteriormente, o governo confirmou a intenção de arrendar as aeronaves e substituir parte de seus jatos mais antigos, conforme informação divulgada por Airway. A iniciativa busca melhorar a eficiência e a imagem da BoA, que tem sido alvo de críticas por atrasos e cancelamentos.

A frota envelhecida da BoA e o desafio financeiro

A Boliviana de Aviación enfrenta um cenário delicado com sua atual frota. Dados recentes do Planespotters revelam que a idade média das aeronaves da BoA supera os 21 anos. Os jatos Boeing 737, que compõem uma parte significativa da frota, são especialmente antigos, com média acima de 22 anos. Modelos como o 737-300 chegam a cerca de 29 anos de operação, enquanto os 737-700 se aproximam dos 25 anos. Até mesmo os 737-800, mais recentes, têm quase duas décadas.

Essa antiguidade contribui para uma baixa disponibilidade. Atualmente, dos 18 aviões listados na frota da BoA, apenas 10 estão ativos, com oito aeronaves paradas. A frota é composta por três Airbus A330-200, treze Boeing 737 (nas variantes -300, -700 e -800) e dois jatos regionais Bombardier CRJ200.

O ministro Mauricio Zamora reconheceu publicamente a incapacidade financeira da companhia para a aquisição de novas aeronaves. Por isso, o arrendamento é a opção preferencial para o governo, que busca resolver as críticas sobre cancelamentos, atrasos e problemas de manutenção que têm impactado a companhia aérea.

Embraer E195-E2: o possível substituto para os 737 da BoA

Embora o governo boliviano não tenha especificado qual modelo da Embraer está em análise, o E195-E2 desponta como o candidato mais provável. Este modelo do fabricante brasileiro é o que mais se aproxima da capacidade de parte da frota de Boeing 737 da BoA que precisa ser substituída.

O Embraer E195-E2 pode transportar entre 130 e 146 passageiros, dependendo da configuração interna. Como exemplo, a Mexicana de Aviación opera seus E195-E2 com 132 assentos. Essa capacidade é bastante similar à dos antigos Boeing 737-300 e 737-700 da BoA, que geralmente possuem entre 136 e 138 lugares, tornando o E195-E2 uma opção estratégica para a renovação.

A modernização com aeronaves mais eficientes pode significar não apenas uma melhoria na experiência do passageiro, mas também uma redução nos custos operacionais da companhia aérea, que atualmente lida com aviões próximos das três décadas de uso.

Impacto político e o exemplo da Mexicana de Aviación

As decisões sobre a frota da BoA carregam um forte componente político. Fundada em 2007, a empresa permanece estatal, o que torna suas escolhas de aquisição, arrendamento e desenvolvimento de malha sensíveis às prioridades governamentais e aos gastos públicos. Esse cenário é comum em outras companhias estatais latino-americanas, como a Aerolíneas Argentinas, onde as decisões de negócios frequentemente se alinham às políticas econômicas e de aviação de cada gestão.

O atual governo boliviano já indicou uma mudança de postura. O ministro Zamora criticou a proteção histórica concedida à BoA, defendendo a abertura do mercado para mais concorrência e a entrada de novas companhias aéreas na Bolívia.

Para a Embraer, um acordo com a BoA representaria mais um cliente para a família E2 na América Latina com apoio governamental. A Mexicana de Aviación, também estatal, seguiu um caminho semelhante, encomendando 20 aeronaves E2 (10 E190-E2 e 10 E195-E2) diretamente da Embraer em 2024. As entregas para a empresa mexicana estão previstas para iniciar em 2025.

Próximos passos para a modernização da frota da BoA

Apesar do interesse declarado e das discussões avançadas, ainda há detalhes a serem definidos. O governo boliviano confirmou apenas a intenção de negociar aeronaves da Embraer e de arrendar pelo menos 10 jatos. No entanto, não foram anunciados oficialmente o modelo exato das aeronaves, o arrendador específico, o cronograma de entrega ou os termos do acordo.

A urgência para a Bolívia reside em transformar essa intenção em contratos de arrendamento concretos. A retirada gradual de aviões que se aproximam da marca de três décadas de operação é fundamental para a sustentabilidade e a eficiência da Boliviana de Aviación. A expectativa é que os próximos meses tragam mais clareza sobre os detalhes dessa importante renovação.

Perguntas Frequentes

Por que o governo da Bolívia quer arrendar jatos da Embraer?

O governo boliviano busca modernizar a frota da estatal Boliviana de Aviación (BoA), que é antiga e possui baixa disponibilidade. Como a BoA não tem recursos financeiros para comprar aviões novos, o arrendamento de pelo menos 10 jatos da Embraer é a opção preferencial para renovar a companhia.

Qual modelo de avião da Embraer pode ser escolhido pela BoA?

Embora não haja confirmação oficial, o modelo E195-E2 da Embraer é o mais cotado. Ele se encaixa na capacidade dos antigos Boeing 737 da BoA, transportando entre 130 e 146 passageiros, similar aos 136-138 assentos dos 737-300 e 737-700 que precisam ser substituídos.

Qual a situação atual da frota da Boliviana de Aviación (BoA)?

A frota da BoA é antiga, com idade média superior a 21 anos, e uma baixa disponibilidade. Dos 18 aviões da companhia, apenas 10 estão ativos. Os Boeing 737-300 têm cerca de 29 anos, e os 737-700, cerca de 25 anos, gerando problemas de manutenção, atrasos e cancelamentos.

Existe algum precedente de acordo da Embraer com companhias aéreas estatais na América Latina?

Sim, a estatal mexicana Mexicana de Aviación encomendou 20 jatos E2 (10 E190-E2 e 10 E195-E2) da Embraer em 2024, com entregas a partir de 2025. Esse acordo serve como um exemplo de parceria entre a Embraer e companhias aéreas estatais na região.