Com a fatia de mercado de SUVs reduzida pela metade desde 2022, a Jeep, da Stellantis, lança o híbrido leve Avenger e planeja revisão total do portfólio.

A Jeep, marca que ajudou a consolidar a era dos SUVs no Brasil, enfrenta um período de grande desafio. A chegada agressiva de montadoras chinesas ao mercado nacional impactou severamente sua participação, que despencou de aproximadamente 20% em 2022 para cerca de 10% atualmente no segmento de utilitários esportivos.

Essa perda de terreno acendeu o alerta na Stellantis, grupo ao qual a Jeep pertence. Segundo Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, a Jeep está entre as marcas que mais sentem a pressão do avanço chinês e a rápida adoção de novas tecnologias na sua faixa de preço.

Para reverter esse cenário, a Stellantis já movimenta suas peças. A primeira grande aposta é o lançamento do Jeep Avenger, um SUV híbrido leve que chega com preço promocional de R$ 120 mil para um lote inicial de 3 mil unidades, visando reposicionar a marca em um segmento de maior volume e eletrificação, conforme informação divulgada por Brazil Journal.

A Perda de Terreno da Jeep no Mercado

A retração da Jeep é um reflexo direto da mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Herlander Zola explicou que, embora os modelos a combustão da marca continuem competitivos, a ausência de opções eletrificadas fez com que a Jeep ficasse “fora do radar” de clientes que passaram a buscar veículos mais tecnológicos.

Zola reconheceu que a falta de versões eletrificadas de carros como Renegade, Compass e Commander foi crucial para os consumidores “experimentarem” novas marcas. Ele destacou que essa dificuldade não se restringe ao Brasil, citando o Uruguai como exemplo onde a eletrificação avançou muito mais rápido que o previsto, resultando em perda de mercado para a Stellantis. “Na velocidade que mudou, a gente não conseguiu responder. Estamos perdendo mercado. Precisamos responder – e vamos”, afirmou o executivo.

A Estratégia de Reação da Stellantis e o Novo Avenger

O Jeep Avenger, com seu sistema híbrido leve de 12 volts, é considerado por Zola um “ponto de inflexão” para a marca, com a expectativa de que “vai fazer com que a Jeep volte a crescer”. Além do novo modelo, a Stellantis prepara uma revisão abrangente de seu portfólio, incluindo novas gerações para o Renegade, Compass e Commander.

O plano Bio-Hybrid, apresentado há três anos com soluções que combinam motores flex com diferentes níveis de eletrificação, está sendo redesenhado. As soluções inicialmente previstas – sistema híbrido leve de 12 volts, arquitetura de 48 volts, híbrido plug-in e veículo totalmente elétrico – não devem chegar ao mercado exatamente como apresentadas. O objetivo é incorporar novas tecnologias, responder à queda de preços dos carros chineses e adaptar-se às mudanças regulatórias, com a nova estratégia a ser anunciada ainda este ano.

A Importância das Parcerias Chinesas e a Regulação

Para acelerar a resposta à concorrência, a Stellantis volta-se para a China. O grupo já detém 21% da montadora Leapmotor e controla 51% da Leapmotor International. A operação sul-americana avalia a introdução de modelos como o A05 e A10 da Leapmotor, que receberão novos nomes. “Esse é um bebê que precisa nascer em menos de nove meses no nosso caso”, disse Zola, indicando a urgência da medida.

Outra parceria relevante é com a Dongfeng, montadora estatal chinesa com a qual a Stellantis discute ampliar a cooperação para a América do Sul. Essa colaboração já prevê o desenvolvimento de quatro carros inéditos – dois da Jeep e dois da Peugeot – que serão produzidos na China e vendidos globalmente. Zola salientou que as chinesas oferecem tecnologia, escala e custo de produção, enquanto a Stellantis contribui com estrutura industrial, rede de concessionárias e quase 30% do mercado brasileiro.

O ambiente regulatório também é crucial. Zola citou a definição do imposto seletivo e o tratamento dado aos carros montados no Brasil a partir de kits importados (CKD e SKD) como fatores que podem alterar a competitividade dos modelos. Ele criticou que mesmo a alíquota cheia de 35% ainda permite que montadoras chinesas operem com baixo índice de conteúdo local, sem desenvolver toda a cadeia de produção no país. “Quem cresce são os chineses – e eles não crescem produzindo aqui”, observou.

O Futuro Multimarcas da Stellantis no Brasil

A Stellantis planeja usar seu vasto portfólio de marcas como uma "quantidade grande de armas" na batalha pelo mercado. A Jeep se concentrará nos SUVs, a Fiat nas faixas de maior volume, Peugeot e Citroën em nichos específicos, e a Leapmotor na eletrificação. Essa diversidade estratégica busca oferecer uma gama completa de opções, adaptando-se às novas demandas dos consumidores e à acirrada concorrência.

Herlander Zola reforçou a ideia de que a divisão da indústria em segmentos tradicionais perdeu relevância. “O cliente não compra carro pensando: ‘Eu quero um B-SUV’. Ele tem R$ 120 mil no bolso e pensa: ‘O que eu posso comprar?’ Todo mundo compete com todo mundo”, concluiu, sublinhando a intensidade da disputa atual.

Perguntas Frequentes

Quais os principais desafios da Jeep no Brasil?

O principal desafio da Jeep é a perda significativa de market share no segmento de SUVs para a concorrência chinesa. A participação da marca caiu de cerca de 20% para 10% desde 2022, principalmente pela falta de opções eletrificadas em seu portfólio diante da crescente demanda por carros mais tecnológicos.

Como a Stellantis planeja enfrentar a concorrência chinesa?

A Stellantis planeja enfrentar a concorrência com o lançamento do SUV híbrido leve Jeep Avenger, a revisão de seu plano de eletrificação (Bio-Hybrid), o desenvolvimento de novas gerações de Renegade, Compass e Commander, e o aprofundamento de parcerias com montadoras chinesas como Leapmotor e Dongfeng para acesso a tecnologia e escala de produção.

O que é o SUV híbrido Jeep Avenger?

O Jeep Avenger é o novo SUV híbrido leve da marca, equipado com um sistema de 12 volts que auxilia o motor a combustão. Ele chega ao mercado brasileiro com um preço promocional de R$ 120 mil para um lote inicial de 3 mil unidades, com o objetivo de reduzir o tíquete de entrada da Jeep e reposicionar a marca.

Qual o impacto da eletrificação no mercado de veículos?

A eletrificação está mudando rapidamente o mercado de veículos, tornando-se um fator decisivo para a escolha dos consumidores. Marcas que não oferecem opções eletrificadas, como a Jeep, estão perdendo clientes para concorrentes que investem nessa tecnologia, forçando as montadoras tradicionais a reformularem suas estratégias.

As parcerias da Stellantis com montadoras chinesas são importantes?

Sim, as parcerias com montadoras chinesas como Leapmotor e Dongfeng são cruciais para a Stellantis. Elas permitem o acesso a novas tecnologias, ganhos de escala e custos de produção competitivos, acelerando o desenvolvimento de produtos eletrificados e a adaptação do portfólio às demandas do mercado global e brasileiro.