Presidente da agência, Tiago Faierstein, destaca que passagens são baratas em dólar, mas pesam no bolso por causa da baixa renda em reais.
O poder de compra do cidadão brasileiro, e não o valor intrínseco das tarifas, é o maior entrave para o acesso às viagens de avião no país. Essa é a avaliação do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein. Em entrevista recente, Faierstein argumentou que, em uma comparação internacional, os preços praticados no Brasil estão entre os mais acessíveis, conforme informação divulgada por Aeroflap.
Apesar dessa constatação, a realidade financeira do brasileiro torna os voos um item de alto custo. A renda em reais, diante de uma indústria com muitos gastos dolarizados, cria um cenário desafiador para quem sonha em viajar pelos ares.
Dados da agência mostram que a tarifa aérea média no Brasil foi de R$ 653 em 2025. Além disso, menos de 5% das passagens vendidas no período ultrapassaram o valor de R$ 1.500, indicando que a maioria dos bilhetes tem preços abaixo desse patamar. Entretanto, Faierstein enfatiza que esses números precisam ser analisados sob a ótica da renda do passageiro.
O paradoxo do preço em dólar e a renda em real
Um dos pontos cruciais levantados por Faierstein é a discrepância entre o preço da passagem e a moeda de recebimento da renda do passageiro. Ele explicou que cerca de 70% dos custos da aviação são dolarizados, desde o combustível até a manutenção de aeronaves, enquanto a maior parte da população recebe seus salários em reais.
Para o presidente da Anac, uma passagem de R$ 653 equivale a aproximadamente US$ 120. Este valor é considerado baixo em um panorama global. Contudo, para o consumidor que ganha em reais, os mesmos R$ 653 representam uma fatia considerável de sua receita. “O problema é o poder de compra. Infelizmente, a renda do brasileiro é uma renda muito baixa”, declarou Faierstein, sublinhando que “US$ 120 se torna R$ 650, já fica pesado para muitas pessoas.”
A importância da compra antecipada de passagens aéreas
Outra dica essencial para quem busca economizar nas viagens aéreas é o planejamento e a compra antecipada. Faierstein apontou que os preços mais altos geralmente aparecem quando o bilhete é adquirido próximo à data do voo. Como exemplo, ele citou que uma passagem de Brasília para Recife, comprada com seis meses de antecedência, poderia custar cerca de R$ 500, mas atingiria valores muito superiores se comprada com uma ou duas semanas de antecedência.
Essa dinâmica de preços reflete o modelo das companhias aéreas, que distribuem os custos do voo entre os passageiros, usando faixas tarifárias variadas conforme a antecedência da compra e a demanda. O presidente da Anac explicou que quem paga R$ 1.500 ou R$ 2.000 por um bilhete em cima da hora, na prática, ajuda a subsidiar aqueles que compraram as passagens com antecedência por valores como R$ 400 ou R$ 500. A recomendação clara da agência é que o consumidor se organize e compre com a maior antecedência possível.
Oferta, demanda e outros fatores que impactam os custos
Embora o poder de compra seja o foco principal, Faierstein reconheceu que a dinâmica entre oferta e demanda também influencia diretamente os preços. Ele destacou que um maior número de assentos disponíveis no mercado tende a intensificar a concorrência entre as empresas, o que, por sua vez, pode levar a uma redução das tarifas. No entanto, o presidente da Anac ponderou que a simples entrada de novas companhias aéreas no Brasil não seria uma solução isolada.
Fatores como o combustível, a cotação do dólar e o cenário econômico internacional exercem uma forte pressão sobre os custos da aviação. O combustível, por exemplo, representa uma parte significativa das despesas das empresas, e muitos outros custos do setor estão atrelados à moeda americana. Faierstein afirmou: “Não é só isso. Essa é uma das coisas que podemos fazer. Mas também seria muito prematuro e irresponsável da minha parte eu dizer que trazer uma nova companhia aérea para o Brasil resolve o problema do valor da passagem aérea. O problema é um conjunto de coisas, um conjunto de cenários.”
O debate sobre o custo das viagens aéreas no Brasil
A visão de Tiago Faierstein reposiciona o poder de compra no centro da discussão sobre o custo das viagens aéreas. De um lado, há a constatação de uma tarifa média de R$ 653 e o fato de que a maioria das passagens custa menos de R$ 1.500. De outro, a realidade de que esse valor representa uma parcela muito maior da renda de um brasileiro em comparação com consumidores de países com maior poder aquisitivo.
Assim, a complexidade de determinar se as passagens são “caras” ou “baratas” vai além do preço nominal do bilhete. Ela engloba a relação entre a tarifa, a renda disponível do passageiro, a variação cambial e os custos internacionais que compõem a operação das companhias. Para a Anac, o desafio do Brasil reside exatamente nesta equação: um preço que pode ser relativamente baixo em dólares, mas ainda assim pesado para quem recebe em reais.
Perguntas Frequentes
Por que as passagens aéreas são caras para o brasileiro?
Para a ANAC, o principal motivo é o baixo poder de compra do brasileiro em relação aos custos dolarizados da aviação. Mesmo com tarifas consideradas baixas em dólar, o valor em reais pesa muito na renda média do cidadão.
Qual a tarifa média de voos no Brasil, segundo a ANAC?
A tarifa aérea média no Brasil foi de R$ 653 em 2025. Menos de 5% das passagens comercializadas no mesmo período custaram mais de R$ 1.500.
Comprar passagem aérea antecipada é mais barato?
Sim, a ANAC recomenda comprar passagens com maior antecedência. Voos comprados perto da data da viagem tendem a ser significativamente mais caros, com os valores mais altos ajudando a compensar os preços mais baixos pagos por quem se planejou.
O que encarece os voos no Brasil, além do poder de compra?
Além do baixo poder de compra, outros fatores incluem a dolarização de 70% dos custos da aviação (como combustível), a relação entre oferta e demanda, e o cenário macroeconômico internacional, que influencia diretamente os insumos do setor.
A ANAC busca aumentar a concorrência para reduzir o preço das passagens?
A ANAC trabalha para tornar o ambiente mais atrativo a novas companhias, mas ressalta que aumentar a concorrência sozinha não é uma solução completa. Fatores como combustível, dólar e a economia global também são determinantes para os preços.
