Marinha argentina formaliza a retirada dos icônicos Super Étendard após anos de tentativas frustradas de reativação por peças britânicas.
A Marinha argentina colocou um ponto final nas tentativas de reativar sua frota de caças de ataque Dassault Super Étendard. A decisão oficializa a aposentadoria definitiva das aeronaves, encerrando anos de esforços para colocá-las novamente em operação no país.
Este movimento foi formalizado no Plano Dédalo, um programa de reestruturação de cinco anos para a Aviação Naval argentina, anunciado no dia 20 de agosto. Embora a retirada do serviço ativo esteja prevista para 2026, os Super Étendard já não voam há muito tempo.
Os caças ganharam notoriedade global em 1982, durante a Guerra das Malvinas/Falklands, quando aviões argentinos utilizaram mísseis antinavio AM39 Exocet com grande impacto contra a frota britânica. A nação adquiriu 14 desses jatos da França a partir de 1980, conforme informação divulgada por Airway.
Histórico e o legado dos Super Étendard na Argentina
Os Super Étendard originais da Argentina haviam sido desativados há mais de uma década, com as aeronaves paradas no solo. Em um esforço para reverter essa situação, o país adquiriu cinco unidades do modelo Super Étendard Modernisé (SEM) da França.
Esses jatos, que já estavam aposentados pela força aérea francesa, foram comprados por cerca de €12,5 milhões em 2019. A negociação incluiu um vasto estoque de peças de reposição e equipamentos de apoio, prometendo um novo fôlego à aviação naval.
Apesar da aquisição e do investimento, os SEMs nunca entraram em serviço operacional na Argentina. A esperança de vê-los alçando voo novamente foi barrada por um obstáculo técnico e político que se mostrou insuperável.
O impasse técnico que selou o destino dos caças
O principal problema para a reativação dos Super Étendard Modernisé estava nos assentos ejetores Martin-Baker Mk6. Os componentes pirotécnicos, essenciais para o funcionamento seguro dos assentos, estavam com a vida útil vencida, e a obtenção de substitutos era impossível.
A Martin-Baker é uma empresa britânica, e as rígidas restrições do Reino Unido à exportação militar para a Argentina permaneceram em vigor desde a Guerra das Malvinas. Isso criou um impasse que impediu a aquisição dos itens necessários para a segurança dos pilotos.
Várias soluções foram estudadas, incluindo a inspeção e extensão da vida útil dos componentes existentes, realizada pelo instituto de pesquisa de defesa argentino CITEDEF. Contudo, essa tentativa não obteve sucesso, pois as autoridades militares de aeronavegabilidade não certificaram o CITEDEF para aprovar esse tipo de trabalho em aviões de voo.
Além dos assentos ejetores, outros componentes com prazo de validade limitado, como partes do sistema de paraquedas, também estavam vencidos. Somado a isso, as próprias aeronaves eram de um modelo que já não possuía suporte de manutenção na França, agravando a dificuldade de qualquer reparo.
O ex-chefe da Marinha argentina, almirante Julio Guardia, confirmou em 2024 que a tarefa de devolver os aviões ao voo exigiria um esforço muito maior do que apenas a substituição dos cartuchos dos assentos.
Tentativas frustradas de reativação e o veto francês
As tentativas de resolver o problema dos Super Étendard não eram recentes. Já em 2023, um esforço anterior para reativar os caças havia sido praticamente paralisado, evidenciando a complexidade da situação.
Naquele ano, o então ministro da Defesa da Argentina, Jorge Taiana, se encontrou com seu homólogo francês. Após as discussões, Taiana declarou que a França não poderia oferecer uma solução para o impasse dos assentos ejetores de origem britânica.
Além disso, a França não conseguiria fornecer outros componentes para uma aeronave que já havia sido retirada de serviço em seu próprio país, e, portanto, não tinha mais suporte oficial. A decisão de 2026 encerra, assim, um esforço prolongado para recuperar uma capacidade que existia, na prática, apenas no papel.
O futuro da Aviação Naval argentina pós-Super Étendard
A aposentadoria definitiva dos Super Étendard deixa a Aviação Naval argentina sem um substituto direto para a função de caça de ataque. A decisão aponta para uma reorientação estratégica dos recursos disponíveis.
O Plano Dédalo agora concentra os investimentos em patrulha marítima, helicópteros e aeronaves não tripuladas. A Marinha tem como objetivo concluir a entrega de quatro antigos aviões P-3 Orion, provenientes da Noruega, até junho de 2027.
Ainda no planejamento, os aviões B-200 serão gradualmente substituídos por modelos B-360. Os helicópteros AS555 Fennec devem sair de serviço em 2027, dando lugar aos novos Leonardo AW109.
No setor de drones, quatro aeronaves não tripuladas Shield AI V-BAT estão previstas para serem entregues entre 2028 e 2029, modernizando a capacidade de reconhecimento e vigilância. Os helicópteros Sea King, por sua vez, devem iniciar sua retirada de operação a partir de 2031.
Perguntas Frequentes
Por que a Argentina aposentou os caças Super Étendard?
A Argentina aposentou os caças Super Étendard principalmente devido à impossibilidade de obter peças de reposição essenciais, como os componentes dos assentos ejetores Martin-Baker Mk6, por conta das restrições de exportação militar do Reino Unido, além da falta de suporte da França para um modelo já desativado em seu país.
Qual foi o papel dos Super Étendard na Guerra das Malvinas?
Os caças Super Étendard ganharam grande notoriedade durante a Guerra das Malvinas/Falklands em 1982, quando aviões argentinos os utilizaram para lançar mísseis antinavio AM39 Exocet contra a frota britânica, causando danos significativos e impactando o conflito.
O que é o Plano Dédalo da Marinha argentina?
O Plano Dédalo é uma reestruturação de cinco anos da Aviação Naval argentina, anunciada em 20 de agosto. Ele formaliza a aposentadoria dos Super Étendard e redireciona os recursos para fortalecer áreas como patrulha marítima, helicópteros e aeronaves não tripuladas.
Qual será o substituto dos caças Super Étendard na Marinha argentina?
Até o momento, nenhum caça substituto específico foi definido para a Aviação Naval argentina após a aposentadoria dos Super Étendard. O Plano Dédalo foca em modernizar outras capacidades, como a patrulha marítima com P-3 Orion, novos helicópteros Leonardo AW109 e drones Shield AI V-BAT.
