Gestora busca saída após seis anos de investimento, impulsionada pelo mercado de IPOs ainda fechado para grandes transações.

A Prisma Capital, gestora de ativos alternativos liderada por Marcelo Hallack, João Mendes e Lucas Canhoto, iniciou o processo de venda da Origem Energia. A companhia, que começou como uma junior oil, consolidou-se nos últimos anos como uma das principais produtoras independentes de gás do Brasil, despertando grande interesse no mercado.

A decisão de desinvestir na Origem Energia é vista como um movimento estratégico e natural para a Prisma, que investiu na empresa no final de 2020. Após cerca de seis anos de atuação, a gestora busca capitalizar o crescimento da companhia, optando por uma transação de fusões e aquisições (M&A) devido ao cenário desfavorável para aberturas de capital (IPOs) no mercado brasileiro.

A Origem Energia tem uma trajetória notável de expansão, adquirindo campos importantes e aumentando significativamente sua produção. A notícia da venda, conforme informação divulgada por Brazil Journal, movimenta o setor de energia e gás, com diversos olhares atentos aos próximos passos do processo.

A Trajetória de Crescimento da Origem Energia no Brasil

Fundada há uma década pela engenheira de petróleo Luna Viana, a Origem Energia teve um crescimento impressionante sob a gestão da Prisma Capital. Inicialmente conhecida como Petro+, a empresa contava com apenas alguns campos exploratórios. Sua transformação veio após a fusão com a Eagle, outro veículo de óleo e gás que também integrava o portfólio da Prisma, dando origem à atual Origem Energia.

Um dos pilares de sua rápida ascensão foi a aquisição estratégica de ativos desinvestidos pela Petrobras. A Origem incorporou os importantes pólos Alagoas e Tucano Sul, que eram operacionais e contribuíram substancialmente para sua capacidade produtiva. Essa estratégia permitiu que a produção em seus campos terrestres saltasse de 4 mil para quase 20 mil barris de óleo equivalente por dia entre 2022 e 2026.

Esse avanço posicionou a Origem Energia entre as maiores junior oils nacionais, ficando atrás apenas de empresas como PRIO, Brava e PetroRecôncavo. Além da produção de gás e óleo, a companhia também expandiu seus negócios para a geração de energia, arrematando contratos para construir mais de 300 megawatts em termelétricas a gás no leilão de capacidade energética realizado pelo Governo em junho.

O Cenário da Venda da Origem Energia e o Mercado de Gás

A saída da Prisma Capital da Origem Energia é um passo esperado para uma gestora de private equity, que normalmente investe em empresas para desenvolvê-las e, posteriormente, realizar o desinvestimento. A escolha por um processo de M&A reflete a realidade do mercado atual, onde a janela para IPOs permanece fechada, tornando a venda direta a alternativa mais viável para monetizar o investimento.

Ainda não há clareza sobre quando o processo de venda será finalizado, nem quais são os interessados que estão avaliando o ativo da Origem Energia. No entanto, o potencial da empresa, tanto na produção de gás quanto na geração de energia, a torna um ativo atrativo no dinâmico mercado brasileiro de energia.

Quem Poderia Adquirir a Origem Energia? Análise de Candidatos

A especulação sobre os possíveis compradores da Origem Energia já começou. Empresas como a Eneva, que seria uma candidata natural dada sua atuação no setor, sinalizaram não ter interesse na aquisição. Surpreendentemente, a Petrobras, que havia manifestado a intenção de voltar a comprar ativos, também não deve avaliar a transação, pois seu foco atual não inclui campos terrestres.

Em um relatório recente, a equipe do Bradesco BBI apontou a PetroRecôncavo como uma empresa para a qual a aquisição da Origem Energia faria sentido estratégico. A PetroRecôncavo, controlada por Opportunity, PetroSantander e Perbras, tem operações e sinergias que poderiam ser potencializadas com a incorporação dos ativos da Origem.

Outros operadores independentes nacionais com foco em operações onshore também podem se interessar. Segundo uma fonte experiente do mercado, a Mandacaru Energia surge como um potencial player que poderia ver valor nos ativos da Origem Energia, considerando a complementaridade de suas operações e a expertise no segmento terrestre.

Perguntas Frequentes

O que é Origem Energia?

A Origem Energia é uma das maiores produtoras independentes de gás natural no Brasil, com campos terrestres de exploração e produção. A empresa também atua na geração de energia termoelétrica a gás.

Por que a Prisma Capital está vendendo a Origem Energia?

A Prisma Capital está vendendo a Origem Energia como parte de um movimento natural de desinvestimento após seis anos de investimento. A decisão por uma transação de fusão e aquisição (M&A) é impulsionada pelo mercado de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais) que está fechado no Brasil.

Quem são os potenciais compradores da Origem Energia?

Ainda não há confirmação de compradores, mas nomes como PetroRecôncavo e Mandacaru Energia foram citados como potenciais interessados. Eneva e Petrobras sinalizaram não ter interesse no momento.

Qual a importância da Origem Energia no mercado de gás brasileiro?

A Origem Energia é uma empresa relevante por ser uma das maiores junior oils do país, com produção próxima de 20 mil barris de óleo equivalente por dia. Sua expansão se deu pela aquisição de ativos desinvestidos pela Petrobras e investimentos em termelétricas a gás.